Isa Reis
FICHA DE LEITURA

Referência bibliográfica
MAIA, Joviane Marcondelli Dias e WILLIAMS, Lucia Cavalcanti de Albuquerque. Fatores de risco e fatores de proteção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área. Temas em Psicologia 2005 Volume 13 número 2 ISSN 1413-389X
SINOPSE
Foi criada em 1990 uma lei que visa proteger as crianças e os adolescentes, resumindo-se no seguinte: tanto é penalizado quem comete maus tratos como os profissionais que não procederem à sua denúncia.
Foi efectuado um estudo em que foram analisadas diversas literaturas bem com teses de diferentes estudiosos sobre os factores de risco e de protecção do desenvolvimento infantil. Sendo comum a todos que o ambiente de violência/pobreza em que as crianças e os adolescentes vivem contribui negativamente para o seu desenvolvimento, tendo consequências ao nível da cognição, linguagem, desempenho escolar, vida social e demonstração de afectividade. Estas vivências contribuirão para que num futuro próximo sejam essas mesmas crianças/ adolescentes a infringir a violência nos seus filhos ou companheiros/as. Pois está provado que a grande maioria dos que sofreram abusos (físicos, psicológicos ou sexuais) mais tarde poderão tornar-se em adultos violentos ou criminosos, aplicando a mesma violência a que foram sujeitos. As crianças e adolescentes que assistem a este tipo de violência necessitam de protecção, pois a qualquer momento poderão tornar-se nas próximas vítimas. Estas situações provocam sentimentos de medo, revolta, fragilidade, podendo conduzir a que os jovens enveredem pelo consumo de drogas, álcool e de criminalidade. O objectivo para os profissionais de educação é a prevenção, identificando os factores de risco para que a sua actuação seja eficaz na protecção das crianças e dos adolescentes.
Outras ideias relevantes
Violência física – actos em que a criança é sujeita sem forma de protecção, muitas vezes passando despercebida pois é frequentemente praticada em crianças de idade inferior a cinco anos e que não pode ser detectada pelos profissionais dado não frequentarem a escola;
Violência psicológica – é a mais complicada de ser detectada dado que as suas marcas são ao nível da mente, a criança vive aterrorizada, tem dificuldade em gerir os sentimentos, tem baixa auto-estima, insucesso escolar;
Violência sexual – é aquela em que os adultos utilizam as crianças para obter prazer sexual, podendo a mesma ser por contacto físico ou sem contacto físico, sendo sempre a mais usual com o contacto físico e a concretização do acto e a vitimização da criança ou adolescente;
Negligência – é quando se priva a criança/adolescente do que são considerados cuidados primários (alimentação, amor, segurança, vestuário, direito à educação, aos cuidados médicos);
Protecção ao desenvolvimento infantil – as crianças/adolescentes poderem ter um modelo a seguir, é o estabelecimento de regras de forma a evitar desvios para os caminhos menos indicados, é terem vinculação à família ou em caso da família ser problemática a um adulto, ou outro familiar que possa orientar e acompanhar de forma a permitirem que os seus sonhos se concretizem, que atinjam as suas metas/objectivos;
Palavras-chave
Resiliência – é um tema de interesse e pesquisa na psicologia para os profissionais que acompanham crianças e adolescentes vítimas de violência. A sua definição é feita a partir da compreensão e da interacção da criança/adolescente com o seu meio ambiente, implica o equilíbrio entre os factores de risco e de protecção. Sendo a capacidade de superar e de recuperar dos maus tratos;
Factores de protecção – oferecer condições de crescimento, de desenvolvimento, de apoio, de consolidação da criança e do adolescente em formação, podendo ser os pais, ou podendo ser substituídos por outro adulto (irmão, avó, professor);
Prevenção de problemas de comportamento – acompanhar, identificar e orientar;
Factores de risco – pobreza, alcoolismo, drogas, pais ausentes; pais agressores, meio ambiente em que estão inseridos;
Comentário
Este artigo, demonstra como infelizmente ainda existem muitas crianças/adolescente a crescerem e a desenvolverem-se em ambientes hostis em que não detendo o acompanhamento adequado, nem a sua interacção correcta com o meio ambiente podem ter comportamentos desviantes e que, por certo, irão levar ao uso de drogas, ao consumo do álcool e num futuro próximo tornarem-se agressores. Aqui podemos referenciar o papel importante que a vinculação e o equilíbrio psicológico assumem para o desenvolvimento das crianças e dos adolescentes, pois a vinculação com a família ou outro adulto dá segurança no relacionamento com os pares e com a escola, é onde está o modelo é o denominado “porto seguro”, e em caso de algo correr menos bem, cuidam, orientam para que novamente entrem na estrada do seu desenvolvimento e crescimento. As autoridades a forma que encontraram para que os profissionais fossem mais proactivos na denúncia dos referidos casos foi penaliza-los caso os não reportassem, com o intuito da prevenção ao invés de tratar de casos consumados, sendo a prioridade a identificação dos factores de risco e da protecção ao desenvolvimento infantil. Mas penso que todos nós, podemos ter um papel activo, participando e ajudando famílias consideradas de risco e ajudar as nossas crianças/adolescentes a crescerem e a desenvolverem saudavelmente, e a tornarem-se nuns adultos compreensivos, responsáveis e sendo o amor visto como orientação e um mecanismo de sobrevivência.
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Bibliografia

• Textos do tema 2: Desenvolvimento na Infância e Adolescência;
• Tavares José; Pereira Anabela; Gomes Ana; Monteiro Sara e Gomes Alexandra - Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
• Maia Joviane e Williams Lúcia - Fatores de risco e fatores de proteção ao desenvolvimento infantil: uma revisão da área
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